Instituto Ethos

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Plano de Gestão de Carbono

Eixo temático

Meio ambiente

Cadeia de valor

Relacionamento com as partes interessadas

 

Principal objetivo da prática

O atendimento à Politica Nacional de Mudanças Climáticas, evitando restrições e penalizações; o alinhamento às diretrizes da Agenda Climática do GCC; e buscar práticas que minimizem impactos e tragam oportunidades de ganhos econômicos.

 

Motivação

A gestão de carbono nas empresas também tem se tornado um assunto recorrente, não apenas no que diz respeito à sustentabilidade, mas também a oportunidades regulatórias e riscos aos quais companhias de diferentes esferas têm sido expostas. O setor da construção civil tem grande importância no que se refere às emissões de GEE, por se tratar de um grande consumidor de combustível fóssil e de energia elétrica e por u&lizar grande quantidade de cimento e aço. Além disso, a implementação de canteiros de obras normalmente demanda a re&rada de vegetação da área.

A construtora, reconhecendo os riscos e oportunidades aos quais seu setor está exposto, desenvolveu o Plano de Gestão de Carbono. Envolveu todos os stakeholders e engajou seus profissionais internamente para implantar as ações e iniciar uma cultura interna de reconhecimento dos benefícios e impactos das decisões relativas às mudanças climáticas. O propósito do Plano é apresentar as informações e ferramentas que quantificam as emissões anuais por meio de seus Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa, que servem de base para decisões quanto ao potencial de redução de emissões das ações implementadas, orientam o monitoramento dessas ações e propõem novas soluções compatíveis com a realidade do momento.

 

Descrição da prática

O Plano de Gestão de Carbono é de caráter inédito e inovador no mercado da construção civil pesada, porque busca se antecipar à normatização da Política Nacional de Mudanças Climáticas, definindo metas e compromissos de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em suas atividades e estabelecendo diretrizes para fazer da gestão de carbono um processo inerente às atividades da empresa. Ao inventariar suas emissões de GEE nos anos 2009 e 2010, a construtora possibilitou a elaboração de programas e projetos e a definição de metas para redução e compensação dos GEE emi&dos nos processos produtivos em suas obras. Com o Plano de Gestão de Carbono, a construtora assume o compromisso de reduzir 21% de suas emissões de GEE até o ano de 2016 e 37% até 2020, contribuindo para o cumprimento dos compromissos firmados internacionalmente pelo Brasil.

A realização do Inventário de GEE da obra Foz do Chapecó, em 2007, foi o principal passo para a implementação da prática. Para 2008, foram escolhidas cinco obras representativas dos seguintes seguimentos: montagens industriais, obras de arte especiais (infraestrutura civil), dutos, energia (hidrelétricas) e edificações. Esses cinco inventários serviram como pilotos para o Plano, proporcionando a percepção das particularidades e dificuldades em cada tipo de obra, o desenvolvimento de soluções adequadas e a familiarização com o inventário pelos profissionais nas obras e na área corporativa da construtora.

Para a estruturação desses inventários, adotou-se a mesma estrutura de gestão realizada nas obras, utilizando os controles das atividades orçamentárias, dos custos e operacionais como fonte de dados para as informações per&nentes. Assim, para cada uma das cinco obras-piloto, o inventário foi estruturado com base nos respectivos projetos e orçamentos, gerando inicialmente um “orçamento de emissões de GEE”, seguido do respectivo monitoramento em campo. O grau de detalhamento foi o mesmo dos orçamentos e controles nas obras, altamente aprofundado. A estrutura dos inventáriospiloto de 2008 foi aprimorada e estendida para todas as obras da empresa no Brasil em 2009, mantendo sempre a composição orçamentária e o respectivo grau de detalhamento como elemento básico de identificação e caracterização das fontes de emissão.

O segundo passo, tendo 2009 por ano-base, foi estender o inventário para todas as obras da empresa no Brasil. Realizaram-se workshops ao longo das duas etapas, com o objetivo de compartilhar as principais decisões, avaliar soluções para questões que se apresentaram ao longo do trabalho e, sobretudo, promover a inclusão do inventário no processo de gestão da construtora. Depois, foi possível estruturar o Plano de Gestão de Carbono por meio de uma análise da situação da empresa à época, dos riscos regulatórios e climáticos aos quais estava exposta e da identificação de oportunidades de projetos de redução e compensação de emissões de GEE. Para posterior desenvolvimento dos componentes do plano:

  1. Programa de Gestão de Carbono: envolve o inventário, com a caracterização e análise das principais fontes de emissão de GEE da construtora, e a identificação de projetos com potencial de redução de emissões da empresa.
  2. Programa de Treinamento dos Gestores: envolve planejamento estratégico para inclusão participativa dos gestores de todos os departamentos da construtora, tanto os alocados nas obras quanto os da área corporativa. O principal componente deste programa é o Guia para Gestão de Carbono, um material que auxilia a aplicação das diretrizes do Plano de Gestão de Carbono para cada obra.

A implementação iniciou-se em 2007, com a realização e apresentação de inventário de emissão de GEE por obra e identificada a aderência ao negócio. A falta de capacitação de profissionais e a inadequação na organização de dados para coleta foram alguns obstáculos. Para sanar essas dificuldades, investiu-se no treinamento e na capacitação dos profissionais das obras e na estruturação de ferramenta online para coleta de dados. A partir de 2009, realiza-se o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa de todas as 32 obras, que dá origem à gestão de emissões de GEE e é a métrica básica sobre a qual se apoiarão as ações de redução. Aqui, os principais desafios foram:

• Engajamento das partes interessadas, com a implantação do plano em todos os níveis, da equipe corporativa à das obras;

• Consonância com as metas nacionais para redução de emissões;

• Conciliação entre as projeções para o futuro da empresa com a mitigação das mudanças climáticas; e

• Flexibilidade na dinâmica de implementação do Plano de acordo com o contexto de cada uma das obras da empresa.

 

Parcerias

Todas as áreas e gerências da construtora, assim como todos os seus projetos, são responsáveis pela implantação das ações que constituem o Plano de Gestão de Carbono, contribuindo para o cumprimento das metas e compromissos apresentados nesse documento. Todas as ações devem ser reportadas à equipe de Gestão Ambiental Corporativa, responsável pela coordenação do Plano de Gestão de Carbono pelo suporte para que as gerências e obras possam realizar os Programas de Redução e Compensação de Emissões e de Treinamento dos Gestores, de acordo com seu próprio contexto de trabalho, em consonância com as quatro diretrizes para implementação do Plano. Conforme descrito, a elaboração e implementação do Plano envolveu clientes como Vale, Petrobras, Anglo American, Metrô, Governo (MCT, MMA e MDIC), instituições de classe e ensino (CNI, Sinduscon, Instituto Ethos, Fórum Clima, EPC, FGV) e público interno gerencial e operacional.

 

Investimento

A empresa não mediu esforços na disponibilização de recursos financeiros, humanos, técnicos e materiais. Desde 2007 a empresa vem investindo ano a ano na implantação das ações para a gestão de carbono. O valor acumulado de investimento foi de aproximadamente R$ 1 milhão para a realização de seus inventários de emissões de GEE e do Plano de Gestão de Carbono, investindo também na capacitação de seus profissionais e fornecedores no tema. Foram contratadas duas consultorias externas, uma para a realização dos inventários e outra para a estruturação do Plano.

Além desses recursos, também houve treinamentos e capacitações envolvendo quinhentos profissionais do corporativo e das obras. O material utilizado para esses treinamentos foram computadores e datashow. Também se desenvolveu um sistema online de coleta dos dados para realização do inventário, disponibilizando um software para que as obras pudessem incluir os dados e coletar em tempo real suas emissões – possibilitando um inventário mais rápido e prático. Um manual chamado Guia para Gestão de Carbono nas Obras, que orienta de maneira objetiva e lúdica a implantação das dezessete principais ações de redução e compensação identificadas, foi disponibilizado para todas as obras.

 

Resultados e benefícios

• Redução do consumo de combustível: Economia de aproximadamente 2 milhões de litros de diesel equivalente a R$ 4 milhões. Redução de emissões: 4.380 toneladas de CO2;

• Redução do consumo de energia: Redução de 2 toneladas emissões: de CO2 e Economia de custo: R$ 1,2 milhões;

• Redução do Desmatamento: Ações nas obras de usinas hidrelétricas (Campos Novos, Foz do Chapecó e Jirau) Atuação da área de meio ambiente no Planejamento e Engenharia das obras O&mização dos Layouts para a construção do canteiro Preferência por áreas de pastagem para construção do canteiro Resultado Campos Novos: 45% preservado Foz do Chapecó: 71% preservado Jirau: 66% preservado Total de 300 ha preservados Redução de emissões: 7.200 toneladas de CO2 e Economia es&mada de R$ 12 milhões Demais resultados intangíveis

• Acesso a novas fontes de capital: a implantação e o desenvolvimento de novas ações podem gerar créditos de carbono para a empresa, uma nova fonte de receita sobre um capital novo com o mercado em desenvolvimento. Uma das ações do Guia é a pesquisa e desenvolvimento sobre novas tecnologias e combustíveis, e um dos estudos em andamento é a utilização do diesel de etanol, que além de reduzir as emissões da empresa pode gerar créditos de carbono.

• Melhoria na gestão de riscos: a questão das mudanças climáticas apresenta dois tipos principais de riscos à empresa. São os relacionados ao clima, que podem gerar prejuízos às obras devido ao aumento de chuvas, cheias de rios e intempéries como ventos e tornados, e os riscos regulatórios – uma vez que o país já possui uma Política Nacional de Mudanças Climáticas que prevê medidas fiscais e tributárias para sua efetivação, a empresa entende que deve se preparar e antecipar suas ações para mitigar esses riscos, além de fazer dessa situação uma oportunidade para se destacar e fomentar o mercado nacional na questão climática.

• Maior credibilidade e interação junto a stakeholders: os principais clientes da construtora já possuem políticas de redução de emissões na cadeia de suprimento. Assim, a construtora está alinhando suas necessidades às de seus principais clientes e do governo, e como resultado dessa ação, conseguiu abrir agenda com eles para apresentar o Plano e discutir o tema, com o objetivo de realizar ações conjuntas que auxiliem na estruturação dos próximos passos referentes ao tema no país. A empresa participa de grupos de trabalho (GT) em todos os níveis de ação dentro do tema, participando do Empresas pelo Clima (EPA), do GT da FGV/GHG, para definição de indicadores de emissões, e de reunião com CNI e o Governo em Brasília para discussão dos Planos Setoriais para a Gestão de Carbono. Também se decidiu que o inventário abrangeria a fabricação e o transporte dos materiais u&lizados nas obras. Embora facultativa, tal decisão baseou-se na constatação, já nas primeiras estimativas, de que as emissões relacionadas eram muito significativas. Ao incluir as emissões da fabricação e transporte de materiais em seu inventário, a construtora reconheceu sua posição de liderança na cadeia de valor. Buscava, assim, atuar de forma abrangente, estabelecendo um processo de gestão do impacto na totalidade de suas obras, beneficiando seus clientes, os usuários de suas obras e a sociedade de modo geral.

• Melhoria do capital humano: um dos componentes do Plano é o programa de treinamento de profissionais nas obras. Realizaram-se também três workshops para capacitação de profissionais em mudanças climáticas, e, além disso, o tema vem sendo comunicado e disseminado por todos as ferramentas de comunicação interna da construtora.

• Aumento do valor da marca e reputação: a realização e divulgação do Plano já possibilitou alguns ganhos de espaço na mídia, e consequentes ganhos de imagem para a empresa.

• Criação de novas oportunidades de negócios: o Plano possibilitou o conhecimento de uma nova forma de oportunidade de negócio referente à compensação de emissões, chamada REDD+ (Redução de Emissões pro Desmatamento e Degradações). Essa oportunidade foi incluída no Plano como investimento em projetos socioambientais voltados à compensação de emissões, com a realização de uma análise estratégica das opções do mercado regional e nacional, o que possibilitará à obra a escolha pela melhor oportunidade para a compensação das emissões.

• Melhorias em processos de gestão e de planejamento: o guia contempla ações de melhoria de planejamento, como reduzir a supressão vegetal com readequação de layout do canteiro, visando a redução do desmatamento autorizado para corte, e controlar a frota e as transportadoras quanto à fumaça preta em todos os equipamentos que chegam ao canteiro, buscando alertar e punir as transportadoras sobre a manutenção e poluição atmosférica dos caminhões com níveis de fumaça preta acima do permitido pelos procedimentos da construtora.

• Maior transparência e accountability: como forma de mostrar a transparência de suas ações, a construtora inclui no Plano todos os resultados de emissões de todas suas obras, além dos resultados dos inventários no sistema público do programa GHG Protocol, fonte de pesquisa para as demais empresas.

• Melhorias em condições sistêmicas que melhoram a competitividade: todas as ações do Plano estão distribuídas pelas áreas da empresa e, como forma de estruturação corporativa, todo o Plano foi incluído no Sistema Integrado de Gestão de Obras (Sigo), que descreve a forma como a construtora gere suas obras, definindo procedimentos, planos, programas, instruções de trabalho e demais ferramentas. Assim, fizeram-se melhorias nos processos.

 

Contato

Nome: Fábio Lavezo

E-mail: sustentabilidade@camargocorrea.com

 

Dados da empresa

Nome: Construções e Comercio Camargo Correa S/A

Setor: Construção

Porte: Grande

Localização: Estado de São Paulo

Website: www.camargocorrea.com.br

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