ETHOS DIVERSIDADE

Gestão para a diversidade: moda ou veio para ficar?


15/09/2015

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Liliane RochaDe tempos em tempos, o tema ganha força no cenário nacional e desponta em debates nas empresas, no setor público ou na sociedade.    

Por Liliane Rocha*

De tempos em tempos, o tema da diversidade ganha força no cenário nacional e desponta em debates, seja nas empresas, seja no setor público, seja no boca a boca da sociedade. Atualmente o tema tem sido fortemente discutido. O canal de televisão GNT abraçou a causa da igualdade de gênero; a Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a Avon, lançou um curso sobre diversidade de gênero, que está sendo ministrado na graduação da administração; e a Conferência Ethos, que ocorrerá nos próximos dias 22 e 23 de setembro, em São Paulo, terá quatro plenárias a respeito de diversidade, uma das maiores realizações de diálogo sobre o tema em todas as edições do evento.

Nos comerciais, as empresas vêm apostando cada vez mais na defesa dessa causa. Em sua última campanha para o Dia dos Namorados, O Boticário abordou a causa LGBT; a Always, na campanha “Tipo de Menina – Nada Pode Te Deter”, tem refletido sobre o papel da menina e da mulher na sociedade; e a Coca-Cola colocou em pauta a questão racial ao mostrar, num de seus comerciais, um casal branco que adotou uma criança negra, estatisticamente o perfil menos solicitado por pais adotivos no país.

Em 2014, foi lançado o Selo “Empresa Amiga da Pessoa com Deficiência” e se realizou a quinta edição do Selo Pró-Equidade de Gênero, ambos concedidos a empresas com desempenho de destaque em cada um desses temas. Além disso, relatórios e indicadores de referência no Brasil e no mundo têm se aprofundado na questão. O Relatório Global de Sustentabilidade, o Guia Exame de Sustentabilidade e os Indicadores Ethos estão, a cada edição, aprimorando perguntas sobre gênero, raça e etnia, pessoas com deficiência e faixa etária, e cada vez mais estão sendo discutidos temas antes considerados tabus, como orientação sexual e religião.

Avanços na legislação também são notórios. Além dos marcos legais sobre pessoas com deficiência, que existem desde 1991, foi promulgado o Estatuto da Igualdade Racial, em 2010, aprovada a união afetiva para casais do mesmo sexo, em 2013, e lançado, em janeiro de 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Além disso, houve a aprovação de cotas nas universidades e já está em discussão um projeto de lei que menciona cotas para mulheres nos conselhos administrativos das empresas. Também chegou a ser aprovado em primeiro turno, no Senado, o projeto de lei que garantia vagas para mulheres no Parlamento, o qual mais tarde seria derrotado na Câmara.

Há ainda outros movimentos que têm empurrado o tema para a frente. A ONU declarou o período de 2015 a 2024 como a Década do Afrodescendente. O Instituto Ethos publicou, em 2013, O Compromisso das Empresas com os Direitos Humanos LGBT, manual pioneiro sobre o tema. No ano seguinte, a OIT e o Pnud lançaram o manual Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho. E todo dia surge uma série de tecnologias assistivas que contribuem para que as pessoas com deficiência tenham acesso e desenvolvam plenamente o seu papel na sociedade.

Mas, afinal, o que é diversidade e como realizar uma gestão voltada para a sua valorização? Os conceitos são muitos, dos antigos aos mais recentes. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, lançada pela ONU em 1948, diz que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos” e que “todos os seres humanos tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. Poucos sabem, mas, em seu artigo 23, o documento enfatiza o igual direito de acesso e ascensão no mercado de trabalho a todas as pessoas.

Em seu manual Como as Empresas Podem (e Devem) Valorizar a Diversidade, de 2000, o Instituto Ethos dá esta definição: “A noção contemporânea de diversidade como um valor nas relações humanas é resultado da busca de oportunidades iguais e de respeito à dignidade de todas as pessoas. Assim, a diversidade representa um princípio básico de cidadania, que visa assegurar a cada um condições de pleno desenvolvimento de seus talentos e potencialidades”.

Mais recentemente, o CEO da organização Diversity Best Practices, no livro O Paradoxo da Inclusão, afirma: “Diversidade é a mistura. Inclusão é fazer a mistura funcionar (…) Diversidade no local de trabalho é ter uma boa representação de pessoas com uma variedade de pensamentos, habilidades, visões de mundo e experiências. A inclusão é ter certeza de que as pessoas são bem-vindas para que tragam sua contribuição e as diferenças sejam percebidas como uma vantagem competitiva”.

Falar sobre valorização da diversidade não é apenas um modismo, como pensam alguns. A diversidade é uma característica intrínseca da espécie humana expressa nas diferentes características dos cerca de 7 bilhões de habitantes do globo terrestre. O grande desafio da gestão para a valorização da diversidade é propiciar oportunidades para que todos tenham acesso aos diversos espaços da sociedade que constituem as relações humanas, como, por exemplo, o mercado de trabalho. Até hoje, estatísticas apontam que alguns grupos da sociedade permanecem segregados em seus direitos básicos de acesso. Contudo, o tema está na pauta e um excelente conjunto de ações articuladas por governos, empresas e a academia tem sido realizado no sentido de promover a igualdade. Certamente, se fosse uma moda, seria algo que veio para ficar.

* Liliane Rocha é diretora executiva da consultoria Gestão Kairós Desenvolvimento Humano.

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