CONFERÊNCIA ETHOS

O papel dos bancos frente aos novos desafios sociais é discutido em mesa da Conferência Ethos


07/10/2017

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Encontro contou com a presença de consultor espanhol especializado em bancos éticos

Como os bancos podem ser percussores de boas práticas integradas ao seu core business, e não apenas em ações pontuais? Esta foi a discussão que guiou a mesa “Dinheiro e Consciência”, da Conferência Ethos 360º em São Paulo, no dia 26 de setembro, que contou com a participação de Ana Sarkovas, diretora executiva do Sistema B no Brasil; Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander e Joan Melé, consultor espanhol de bancos éticos e de empresas com valores.

Diversos caminhos foram apontados pelos participantes, em especial no tocante aos investimentos que estas organizações fazem. “Me recordo de quando barramos o investimento a um negócio que desmatava. Houve muita repercussão negativa, mas depois entendeu-se que era a melhor decisão. Quando se faz uma análise do risco socioambiental e este risco é baixo, isto é bom para todo mundo, para o banco, para as pessoas e para o meio ambiente. Este ponto tem que ser levado em consideração na hora de oferecer crédito”, compartilha o ex-presidente do Santander.

As novas gerações e suas ambições, seu modelo de vida pautado em propósito também foram pontos levantados sobre a necessidade de mudança dos bancos. “As pessoas estão cada vez mais interessadas em saber onde seu dinheiro está sendo investido. Vivi uma experiência na Espanha em que as pessoas começaram a migrar para um banco ético pois os investimentos eram mais transparentes e mais alinhados com seus propósitos, ainda que a rentabilidade fosse menor. Esta é uma mudança que está vindo como um tsunami e que os bancos precisam estar atentos e se preparar para ela”, apontou Joan Melé.

O papel dos bancos e dos negócios no mundo contemporâneo atual mudou, apontaram os palestrastes. “Precisamos de negócios que ajudam a mudar o mundo, a diminuir as diferenças que temos hoje”, falou a executiva do Sistema B e o consultor espanhol de bancos éticos completou que “o Brasil precisa de um banco ético, para começar este movimento e incentivar os outros bancos a acelerar a mudança para recursos com impacto, para distribuir mais riqueza entre as pessoas”.

O Brasil ainda não tem um banco ético, mas os palestrantes concordaram que é uma questão de tempo para que as iniciativas comecem a surgir dentro dos bancos que já existem, adaptando-se às novas demandas sociais ou que surja um novo banco já alinhado a este novo modelo. “E esta demanda não deve demorar para chegar ao Brasil, no Chile já se tem uma primeira proposta de banco ético saindo do papel e acredito que o Brasil tem um grande potencial para esta inovação”, finalizou Melé.

 

Por Bianca Cesário, do Instituto Ethos

Foto: Clóvis Fabiano e Kleber Marques

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