ETHOS MOBILIDADE

A tecnologia como fator de transformação da mobilidade urbana


15/08/2017

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Tema foi discuto em encontro do ForumMobi e contou com a participação de diversos representantes da sociedade

Com tanta tecnologia disponível, como o trânsito das grandes cidades ainda é tão caótico? Será que ainda não existem alternativas possíveis que apoiem o planejamento da mobilidade nas cidades e facilite o deslocamento de seus cidadãos? O que ainda falta para unir tecnologia e mobilidade urbana? Estas foram algumas questões que o último encontro do ForumMobi, grupo de trabalho do Ethos que discute mobilidade urbana, tentou responder durante a reunião realizada no dia 1 de agosto que contou com a participação de integrantes de empresas, do setor público, da academia e de organizações que trabalham com a temática da mobilidade urbana.

A população brasileira é majoritariamente urbana e o processo de urbanização do Brasil se deu de maneira rápida, o que acabou pressionando as cidades por infraestrutura urbana, incluindo as políticas de mobilidade. Sob esta luz, Diego Conti, professor do mestrado em Cidades Inteligentes e Sustentáveis da Uninove indica que este processo incentivou as deseconomias, em especial, pelo tempo que as pessoas gastam no trânsito e as consequências, como o estresse e as doenças respiratórias. Para o professor, o caminho para a solução destes problemas passa pela formação de gestores públicos que tenham visão sistêmica, que utilizem os dados disponíveis para pautar suas decisões e que elas sejam tomadas de forma transparente. “Só conseguimos construir uma cidade sustentável se tivermos uma governança participativa, que promove transparência, representatividade e confiança e a tecnologia pode ser uma aliada neste processo”, finalizou Conti.

Sobre o uso dos dados para a melhora da mobilidade, Daniela Swiatek, do MobiLab, também concorda que a análise de dados é essencial para a tomada de decisão e que a abertura dos dados pode oferecer novas oportunidades de negócios para as empresas, oferecendo novas soluções para os cidadãos, sem ônus para o poder público. Um exemplo que Daniela trouxe foi o caso de abertura dos dados do transporte de ônibus da cidade de São Paulo que resultou na criação de aplicativos de celular que informam o cidadão a localização dos ônibus de cada linha, permitindo uma maior liberdade e planejamento sobre a mobilidade dos habitantes da cidade. “No MobiLab, temos como objetivo encontrar soluções para os problemas de mobilidade urbana de maneira criativa, rápida e eficiente, ou seja, no modelo startup. Este modelo é uma inovação no setor público e já temos projetos em desenvolvimento que vão facilitar tanto a vida dos cidadãos quanto dos órgãos públicos que trabalham com a questão do trânsito”, apresentou a secretaria executiva do Laboratório de Mobilidade Urbana.

Ao olhar os dados sobre a mobilidade urbana, percebemos que o trânsito ainda mata muito, em especial pedestres. Frente a este desafio, Luiza Andrada, do Institut pour la Ville en Mouvement, lança luz a esta realidade e chama a atenção para a construção de políticas de mobilidade voltada para os mais frágeis no trânsito, os pedestres. “É preciso pensar na experiência dos pedestres, colocá-lo no centro das decisões na construção de políticas de mobilidade”, afirma Andrada. Além disso, Luiza também pontuou a importância do pedestre para a ocupação do espaço púbico e que as soluções tecnológicas podem ajudar a melhorar a mobilidade para os pedestres.

As inovações tecnológicas e as novas demandas dos usuários estão no foco nas novas iniciativas do grupo PSA, apresentado por Emmanuel Hédouin. Entre os pontos apresentados estão o desenvolvimento de tecnologias automotores menos poluentes, mais limpas e mais eficientes, entre elas o carro híbrido e elétrico, além dos carros autônomos. Sobre este último ponto, Emmanuel acredita que este futuro está próximo e que deve ser uma boa solução para o trânsito, já que grande parte dos acidentes ocorrem por erro humano. Além disso, o conceito de mobilidade compartilhada também está em evidência no mundo globalizado, em especial, os carros compartilhados. “As startups estão muito forte no desenvolvimento destas novas tecnologias com soluções criativas. Precisamos estar atentos a como a introdução destas novidades podem mudar a nossa relação com a mobilidade”, finaliza Hédouin.

Na discussão os pontos que mais se destacaram foram a necessidade de usar a tecnologia na construção de um trânsito mais seguro e melhor para todos, focando na convivência entre os diferentes modais e oferecendo oportunidades de escolha para os usuários. Além disso, a necessidade de se tomar decisões compartilhadas e de forma participativa foi outro ponto ressaltado no debate.

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Por Bianca Cesário, do Instituto Ethos

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